A Short History of Nearly Everything

Porque a vida não é só poesia
E chamou desde logo a atenção em Cannes, onde conquistou os prémios de Melhor Argumento e Melhor Actor. É de facto uma excelente estreia esta. Mais uma vez à imagem de vários filmes de Clint Eastwood, conta a história de um homem simples que valoriza a honra, a lealdade e a amizade acima de tudo.
"The Three Burials of Melquiades Estrada", no original, fala de um emigrante ilegal mexicano que é encontrado morto no deserto Texano. Em sucessivos flashbacks, ficamos a saber que Pete Perkins, o seu melhor (único?) amigo, que o tinha acolhido e protegido, lhe tinha prometido em vida que, caso alguma coisa lhe acontecesse, o levaria para junto da família, para ser enterrado na sua terra natal.
Como as promessas são para se cumprir, e perante a inacção das autoridades locais, Pete descobre o assassino de Melquiades e obriga-o a transportar o corpo de regresso a casa, numa viagem repleta de peripécias e em sentido contrário àquele que as autoridades americanas de controlo da fronteira estão acostumadas a impedir.
Verdadeiramente bonito e com excelentes actuações de Barry Pepper, que representa o assassino de Melquiades, e do próprio Tommy Lee Jones.
Site oficial: http://www.sonyclassics.com/threeburials/
Nova sugestão para um retiro gastronómico, daqueles que felizmente ainda vamos encontrando por esse Portugal, muito especialmente no Norte do país.
Comida caseira, baseada em receitas tradicionais mas com alguns retoques para as ajustar aos tempos. E preços simpáticos para porções generosas. Ou melhor, MUITO generosas! Sim, que estamos em terra de gente de trabalho...
O restaurante em causa chama-se Milho Rei e fica em Amares, mais ou menos a meio caminho entre Braga e o Gerês.
As instalações são simpáticas, renovadas e até um pouco elegantes, mas mantendo aquele ar confortável e amigável, como que dizendo que todos são bem-vindos.
Clientela diversa, com muita gente jovem e muitos com ar de habituais. Como há espaço, é bom para grupos, até de alguma dimensão, como acontecia no dia da segunda visita.
Foram provados no primeiro dia o Bacalhau com Broa e o Cabrito Assado no Forno, ambos simplesmente fabulosos e companhados por belas batatas a murro e por uns grelos temperados com mestria. O bacalhau era de excelente qualidade e chegava quase ao nível daquela que é a referência absoluta para este prato - o Restaurante do Hotel Camelo, em Seia.
Em qualquer dos casos, estamos a falar de meias-doses que alimentariam perfeitamente duas pessoas, mas nós não sabíamos, pelo que saímos do local a rebolar, tornando inclusive impossível provar qualquer das sobremesas que tão bom aspecto tinham.
As entradinhas, que também merecem referência, eram muito simpáticas, tendo sido provados uns carnudos mexilhões e o paté de atum.
No dia seguinte, e repetindo o erro do dia anterior, foi pedida uma dose de Posta Mirandesa que (curiosamente denominada de "Falsa" na conta entregue!?) era perfeitamente gigantesca! Devia ser quase 1 Kilograma de carne, aquilo que nos serviram. E da melhor: 4 centímetros de altura, cozinhada no ponto certo, com um molho ligeiramente avinagrado e as belas das batatinhas e dos grelos que tão boa conta tinham dado de si na véspera. Resultado: foi impossível acabar a dita dose e as sobremesas mais uma vez foram dispensadas.
Conclusão: comida como as nossas avós faziam, para estômagos com a devida elasticidade. Serviço simpático. O preço médio deverá rondar os 12,50 Euros por pessoa, sem vinho.
Mais informação em: http://www.lifecooler.com/edicoes/lifecooler/desenvReg.asp?reg=330663
Se Woody Allen não fosse um "desalinhado" com a indústria de Hollywood, seguramente este filme seria candidato a vários Óscares e não apenas ao de Melhor Argumento. Estaria pelo menos também nas categorias de Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Actor Principal. E provavelmente ainda haveria candidatos às estátuas nos papéis secundários, já para não falar da lindíssima Scarlett Johansson que voltou aos grandes papéis depois de andar a passear os seus dotes pel' "A Ilha".
Neste filme, tudo funciona, tudo corre na perfeição e não parece haver uma cena a mais ou uma cena a menos. Dá a sensação que nem poderia ser de outra maneira.
Mas o mais espantoso é que nem sequer estamos no "ambiente natural" dos filmes de Woody Allen. Não estamos em Manhattan, mas sim em Londres. E Woody nem sequer aparece, para espalhar as suas neuroses e caos habitual, deixando todo o trabalho para os excelentes actores seleccionados.
Quanto à história, é uma surpresa constante. Parece uma típica saga de sociedade e de ambição, para depois se transformar num romance, para depois... Bom, só mesmo vendo até ao fim para perceber.
Site oficial em: http://www.matchpoint.dreamworks.com
Edições Dom Quixote
Aparece nas nossas salas já com o carimbo do prémio ganho em Cannes e tendo como actor principal o Bill Murray (sem dúvida, o protagonista do maior "comeback" cinematográfico desde o John Travolta no Pulp Fiction).
A história tem um ritmo e feeling especial, com um humor discreto e suave, e o desfile daquela América profunda e das antigas namoradas de Don é de alguma forma encantatório.
Tudo tem no entanto um sabor a "improvável", desde a placidez/preguiça de Don até às sucessivas situações em que encontra as suas antigas conquistas, o que não nos deixa mergulhar verdadeiramente no filme.
Em jeito de conclusão, apenas uma verdadeira desilusão: o final. Se calhar, para muita gente, faz sentido e até "está na moda". Quanto a mim, pareceu-me apenas um beco sem saída, de um cineasta/argumentista que não foi capaz de decidir...
Sinopse: Don Johnston (Bill Murray, novamente a vestir a pele de palhaço triste que já lhe conhecíamos dos magníficos papéis em "Lost in Translation" e "Um Peixe Fora de Água") é um especialista em computadores (à custa deles enriqueceu) e um "Don Juan maladroit" no que diz respeito a mulheres. A sua última namorada está farta dele e abandona-o. É aí que recebe uma carta anónima, de uma antiga namorada que lhe confessa que Don é pai e que o filho adolescente resolveu ir à sua procura. Incentivado pelo seu vizinho, com espírito de detective, Don, meio contrariado, decide procurar as prováveis mães desse filho, num périplo que o levará a reencontrar as suas antigas paixões e a perceber a solidão em que se tornou a sua vida.